Tem filme que a gente assiste e tem filme que a gente guarda pra sempre na memória, como foi comigo ao assistir “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain”.
Existem pessoas que sentem o mundo na ponta dos dedos. Que encontram refúgio na textura das coisas simples.
Interpretada por Audrey Tautou, Amélie foi uma criança solitária em afeto, onde a imaginação era seu único refúgio.
Sua infância, cheia de momentos trágicos, a tornou uma observadora peculiar do mundo, enxergando detalhes que ninguém mais nota.
É engraçado como a dor às vezes apura o nosso olhar. Quem sofreu cedo aprende a reparar em coisas que geralmente passam despercebidas para as outras pessoas. Vira um dom esquisito, meio doído, meio bonito. E quase que por um instinto, a gente aprende a viver sozinho. Aprende a criar mundos inteiros dentro da nossa cabeça, só pra não sentir o que nos espera do lado de fora.
“São tempos difíceis para os sonhadores.”
Amelie Poulain
Mas a vida tem formas curiosas de nos tirar do isolamento. Um tesouro escondido atrás de uma parede, foi o gatilho para Amelie descobrir que fazer boas ações é, na verdade, uma forma sutil de curar a si mesma…
Curioso isso. A gente acha que vai salvar o outro e no fim das contas quem sai salvo somos nós mesmos. Fazer o bem não é caridade, é reencontro.
Entre pequenas missões anônimas e o desejo de ser alguém melhor, ela percebeu que o mundo é vasto demais para ser vivido apenas do lado de dentro.
Nessa jornada, Amélie acaba encontrando o reflexo de sua própria essência: alguém que, como ela, enxerga as entrelinhas do mundo. Alguém que não reflete quem ela foi, mas quem ela escolheu se tornar.
Isso muda tudo! Não precisamos ficar presos na história que contaram sobre nós. Podemos reescrevê-la! Dá pra escolher, a cada novo dia, quem a gente quer ser daqui pra frente.

E aqui faço aquela famosa comparação sobre a borboleta: Muito se fala sobre a beleza das asas de uma borboleta, mas a lagarta não faz uma transição leve nem bonitinha. Ela se fecha no escuro, perde sua forma antiga e se desfaz por completo. Para quem vê de fora, o casulo parece um lugar de descanso. Mas para ela, é uma desconstrução silenciosa e dolorosa. A lagarta não sabe que vai virar borboleta, ela só sabe que quem ela era já não cabe mais ali. E no fim, ela precisa ter coragem para sair do casulo e enfrentar o mundo de uma forma completamente nova, e aprender a voar..
Amélie viveu no seu próprio casulo mental por anos. E a verdade é que nós fazemos o mesmo. Nos escondemos na rotina e nas nossas fortalezas porque encarar o mundo dá medo. Descobrir quem somos, realmente, não é uma tarefa fácil. Muitos de nós foram condicionados a “caber”, a seguir um roteiro. E assim a gente vai passando pela vida, mas não realmente vivendo.
O “Fabuloso Destino de Amélie Poulain” não é sobre grandes feitos, mas sobre a coragem de sair do casulo e tocar a realidade.
A metamorfose não é sobre se tornar alguém perfeito. É só sobre ter a audácia de rasgar a própria casca e colocar as mãos no mundo, meio trêmulas mesmo, mas vivas…
E você? O que tem feito para tocar a realidade hoje?
Se você também quer assistir o filme e ficar de coração quentinho, O Fabuloso Destino de Amélie Poulain está disponível no Amazon Prime!
Filme citado:O FABULOSO DESTINO DE AMÉLIE POULAIN. Direção de Jean-Pierre Jeunet. Produção de Claudie Ossard. França: UGC Fox Distribution, 2001.

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